terça-feira, 3 de maio de 2011

Azuis em Widescreen


"Luz do sol, que a folha traga e traduz em ver de novo
Em folha, em graça, em vida, em força, em luz... Céu azul
Que venha até onde os pés tocam a terra e a terra inspira
E exala seus azuis..." (Caetano Veloso)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Importância...

“O não-sei-bem-o-que e o quase nada são as coisas mais importantes na vida”.
(Vladimir Jankélévitch)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Qual é a sua dor?

Hoje eu acordei com dor. E foi assim que eu cheguei, 7 de Abril ao trabalho por volta das 7h30 da manhã. Tanto 7 podia ser sinal que tudo sairia perfeito.
É assim que tenho acordado nos meus últimos dias... uma dor de cabeça que me persegue e que os sintomas apontam para uma sinusite. Essa é a minha dor!
Não bastasse isso, quando piso no “solo sagrado” de meu ambiente de trabalho, sou surpreendido por uma colega com a notícia que o salário havia atrasado mais uma vez. Pela quinta vez consecutiva a empresa não pagava em dia e sequer uma satisfação havia deixado para nós empregados. Pronto! A dor de cabeça aumentou, a pressão deu uma leve subida (dizem que tô ficando velho) e o dia estava pronto pra ser péssimo. Essa é a minha dor!
Reclamações, indignação, sentimento de estar sendo usurpado de direitos conquistados, enfim, toda essa celeuma que meus companheiros de empresa e que qualquer cidadão sentiria nessas horas. Quem tem contas pra pagar sabe como é isso! Quem tem compromissos, também!
O fato é que minha dor é apenas mais uma dor. Não é a sua, não é a do seu irmão e nem a do seu vizinho. Foi assim que fomos aprendendo com a vida – e aprendendo erradamente – que cada um deve mesmo cuidar da sua vida e que ninguém deve importunar o outro com seus problemas pessoais. Já está lá no pacote da vida todas essas contingências: Dores, enfermidades, perdas, convívio com as ausências, frustrações, fracassos, enfim... Tá tudo aí!
O grande xis dessa questão toda é que a vida não se resume aos meus problemas e que os meus problemas não norteiam o mundo desde o momento que percebo que outras tragédias se desencadeiam perto ou longe de mim.
Um clique na tela e está lá: "Atirador faz vítimas em colégio do subúrbio carioca".
Meu Deus, estamos nos Estados Unidos? Algum louco ensandecido entrou numa escola de "mauricinhos e patricinhas zona sul" e revoltado com sua condição de pobre rejeitado resolve atirar em quem aparecer pela frente?
- Não!
Minha mente se apressa em responder.
- "Tá tudo globalizado meu jovem. Vento que venta lá venta cá".
A escola é pobre, é de subúrbio e não tem nada de rico esbanjando. É mesmo o caráter do homem moderno decaído, bestificado... A imagem e semelhança de Deus foi ofuscada.
Nesse instante que a ficha cai minha dor desapareceu. Não de fato, mas o efeito agora é outro. Minha dor abre as portas para ser trucidada por uma dor maior. Crianças estão no chão banhadas em sangue. Professores aterrorizados se desesperam com anjos em seus braços, pais se amontoam a porta da escola em busca dos seus filhos... Alguns nunca mais trocarão uma só palavra com eles.
O que é isso? Eu não consigo entender!
Você consegue imaginar isso? Seu coração consegue alcançar a dor de um pai ou de uma mãe dessas?
Sua mente por um instante consegue desligar-se da corriqueira rotina e olhar para o lado? E Deus? Como está o coração de Deus agora?
Enquanto discutimos se a festa será azul ou verde, se faremos torta ou bolo surpresa, a vida revela numa pergunta suas entranhas escancaradas. Suas vísceras estão à mostra dura e cruelmente...
Qual é a sua dor?

Tiago Alves

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pensaê

...porque tudo começa na cabeça!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Texto para ouvidos


Quando a gente ainda é criança o mais natural é se viver como se o amanhã não existisse. Fazemos do hoje o dia mais importante, o agora é o que vale, aquele minuto que gastamos é o melhor, a brincadeira é a que nunca queremos que acabe, assim como o doce, a pipoca... Aquele pouco a mais é carta na manga, o pulo do gato que ninguém nunca nos ensinou, mas que a gente sabe como ninguém.

Sem querer e as vezes sem saber ainda pela inexperiência, tiramos da vida o que ela melhor tem pra oferecer: o presente! Criança tem esse dom que aos poucos vai se perdendo... Soa como uma irresponsabilidade que não abrimos mão até descobrir e entender que o tempo passa, fazemos aniversários e algumas coisas começam a mudar. Ganhamos responsabilidades e um desejo de boa sorte. Burocratizamos a vida!

Com o tempo, mal ou bem, vamos nos dando conta que a brincadeira acabou, e nem precisava ter sido de uma forma tão abrupta. Lembramos com nostalgia e enchemos a boca pra lembrar que éramos felizes e não sabíamos.

Logo cedo percebemos que o mundo é vivido em sociedade, e com pessoas diferentes não só na aparência como de diferentes gostos, jeitos e manias. Isso tudo num mesmo lugar, até mesmo numa mesma casa, sem querer entrar no âmbito multicultural de um mundo pequeno e gigante ao mesmo tempo, haja vista tanta pluralidade.

A vida pode até ser vista como complexa pela multiplicidade de escolhas que se tem a fazer, pelos tantos caminhos a escolher, pelos múltiplos sentimentos a dominar e entender e talvez pela diversidade que o simples parece não explicar. O simples fica com cara de miragem.

E nessa ótica, talvez o conceito de simples tenha mesmo fugido ao que pretendia, simplificar, facilitar, tornar a vida mais prática e menos conceitual.

E essa mesma vida acaba sendo assim, contada por nossos próprios atos, vivida ou não, sentida ou ignorada, simples ou complexa, com sentido ou banalizada. Cada um vai construindo sua história ao mesmo tempo em que ela mesma vai se encarregar de contar e fazer-se vista por muitos espectadores, inclusive nós mesmos, um pouco mais à frente.

A melhor forma de espremê-la até o último caldo nunca passará de estar de bem consigo mesmo, na aceitação própria, na condição de agente transformador de si e do meio, e na maneira de aceitar o que não pode ser mudado.

A complexa tarefa de entender os tantos porquês ainda sem resposta se transformará tão e simplesmente em viver cada segundo como se fosse o último, e cada dia como um presente que acabamos de ganhar.

Tiago Alves
O título do texto foi uma brincadeira que fiz na época da publicação do meu primeiro livro.  Naquele momento eu precisava de um texto para as orelhas... Foi no interim entre um e outro que esse texto nasceu. Vá entender!

Eu não sou folião...

... mas estou com febre, dor no corpo e aquele desânimo...

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

É batata!

Para quem acha que o tempo voa e o ano disparou, não se importe tanto, os anos são todos assim e todo mundo costuma falar a mesma coisa todos os dias. Se for pra se importar de verdade, que seja muito e que seja logo, os dias vão mesmo em quinta marcha e parece impossível segurá-los com as mãos. Corra ou deixe-os seguir soltos. Ignore ou os amarre em calendários pendurados na porta da geladeira.
Se tiver planos que seja um apenas e que nele estejam todos outros como naquelas caixas coloridas dentro de outras tantas caixas decoradas que acostumamos a ver em amigos ocultos. Se for escolher um presente pra alguém especial, um dia antes descubra nas suas palavras o que mais lhe deixaria feliz. Escolha como se fosse pra você. Isso dificilmente sai errado e você parecerá ter ganhado o mundo.
Se tirar o tempo pra se divertir que esqueça o celular, o nome do chefe, a conta vencida, o passado recente. Que se entregue tão e simplesmente ao momento único de se estar vivendo uma coisa de cada vez, apenas o hoje. Que seja sincero a ponto de esquecer das horas e dos compromissos mais absurdos e necessários.
Se tirar o dia pra mostrar ao filho o que a vida tem de melhor, seja tão ou mais criança que ele, sem medo de ser ridículo. Se for preciso, seja ridículo pra quem quiser. Seu filho jamais esquecerá desse dia.
Quando se emocionar, não faça cerimônias, nem finja. Se recompor instantaneamente com lenços e guardanapos é como ignorar sua sensibilidade.
Se for pra chorar, que chame o melhor amigo, que conte as maiores tolices, que confesse as maiores fraquezas, e que saia dali direto comprar um cachorro quente. Ou que chore sozinho, no canto do quarto, ou por trás dos óculos escuros enquanto o ônibus demora a chegar. Normalmente entendemos mais de nós que muitos outros.
Dê tempo para os amigos, ouça suas maiores loucuras e ria delas, mas acredite em pelo menos uma. Fatalmente parecerá com alguma coisa que um dia se passou pela sua cabeça.
Diga pelo menos uma vez uma ideia louca, sempre é possível aprender com elas. Ser racional demais é ser escravo de si mesmo.
Aprenda com os erros dos outros, mas nunca deixe de enxergar como seria se fosse com você. Quando for dividir o picolé, fique com a metade sem o palito, isso é mostrar desprendimento.
Dê tempo pra si, mesmo que seja pra passar tardes dormindo, assistindo desenhos tipo Zé Colméia, comendo pipoca ou folheando revistas antigas. Há sempre uma página que você pulou por não ser tão colorida assim.
A vida? Bem, essa tende a ser muito mais interessante. É batata!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

As aparências enganam

"As aparências enganam, aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são
o alimento, o veneno e o pão, o vinho seco, a recordação..."
 
(Trecho da música cantada por Elis Regina e composta por Sérgio Natureza e Tunai)